sábado, 5 de setembro de 2009

05/09/09

Não tive tempo e nem vontade pra postar isso no dia em que aconteceu, 02/05/09. Por um lado isso foi até bom, já que me deu tempo pra observar melhor a situação e o decorrer dos fatos.
O dia 02 caiu numa quarta-f. Eu tinha aula de manhã e à tarde. Não fui pela manhã pois estava muito cansado e queria estar bem disposto para a aula da tarde: aula prática de zoologia; uma das minhas matérias favoritas.
Sou bastante relapso com relação à faculdade, portanto, não fazia idéia de que a atividade planejada para o dia era abrir uma minhoca (viva!) pra ver dentro dela; só descobri que teria que fazer isso quando um colega meu me perguntou se eu levei a tesoura histológica necessária para abrir o bicho.
Fui almoçar enquanto pensava no que faria. Faltar uma aula prática consistia em perder uma quantidade importante de informação útil para as provas.
Na fila do restaurante encontrei um colega meu, um cara que eu nunca considerei muito lúcido. Perguntei pra ele o que ele achava que eu deveria fazer a respeito da aula e da minhoca; ele me disse que pela lei -não sei qual delas- eu poderia fazer o curso inteiro sem matar nenhum bicho. Almoçamos rápido pra não atrasar.
Quando a professora chegou pra abrir a porta da sala eu me aproximei. Houve o seguinte diálogo:

- Professora, tenho um problema. Será que eu posso assistir a aula sem abrir a minhoca? (talvez eu pudesse observar enquanto alguém fazia, assim, pelo menos, eu não causaria nenhum acréscimo ao número de minhocas que seriam torturadas)
Nesse momento a professora abriu a porta e todos entraram e puderam ouvir nosso diálogo. A professora proseguiu.
- Mas qual o motivo de você não querer participar?
- Motivos morais.
A professora ficou um pouco em silêncio enquanto procurava alguma coisa e continuou num tom de voz mais alto e mais rápido:
- Mas eu não vejo lógica nisso! Nós matamos bichos em todas as aulas!
Eu me assustei. Não lembrava de ter matado bicho algum. Apenas olhei pra ela com dúvida.
- Os bichos que vocês observam nas aulas, foram mortos pra isso!
- Mas professora. É bem diferente observar um bicho morto que todos observam (um único indivíduo que é usado para estudo ano após ano, e que possívelmente teve uma morte rápida e sem grandes torturas, cuja minha presença ou ausência na sala de aula não é capaz de mudar o destino da criatura) de abrir uma minhoca viva.
- Quer que eu abra pra você então ? (fez uma cara de quem casoa de um gay)
- Não! Não é isso...
- Porque esse seu pensamento não faz sentido...
- Pra mim faz todo sentido.
- Ou abre a minhoca ou... (pausadamente e em tom de provocação) não participa da aula.
- Então eu não posso assistir a aula sem abrir a minhoca?
- Não.
- Beleza então...
E saí da sala.

Fui burro. Acho que deveria ter faltado a aula e ficado quieto.
Um colega passou a semana inteira tirando sarro de mim e espalhando a notícia, regada à muita gozação, para todos quanto pôde. Um dia depois do ocorrido, fui comprimentar esse cara em público e na mesma hora ele falou tão alto quanto pode: "bichinha, não quer matar a minhoquinha...". No dia seguinte três colegas meus falaram algo parecido quando eu passei perto, só que dessa vez o tom parecia mais brincalhão e menos ofensivo.
A história aínda está se espalhando. Eu vou fazer o que eu sempre faço, até por falta de opção: ficar quieto e olhar. Se acontecer algo relacionado que eu queira escrever, eu farei.

A minha vontade é de mandar tudo e todos (com rarríssimas exceções) pro inferno!