Preste bastante atenção pois vou dizer uma vez só!
Uma vez só...
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
09/02/2010
Domingo dei uma geral no cômodo que chamo de quarto. Tirei muito lixo (mesmo!).
Não gosto de guardar coisas, isso me faz sentir preso; se eu fosse dono da casa onde moro já teria me livrado dela também. Evito reter coisas com pretextos sentimentalistas; o que não é útil só pode ser inútil.
Entretanto certas coisas que achei durante a limpeza (meros pedaços de papel impressos) foram mais fortes do que eu (talvez aínda tenham algum valor né...): Não conseguiram exatamente mudar minha vontade de defenestrá-los, ao invés, incutiram em mim vontade de preservar seu conteúdo; pelo menos por ora: porque assim que isso passar -e é bem provável que passe- eu juro que apago esse post com todo o seu "conteúdo".
Acabei scaneando tais pedaços de papel e suas idéias parasitóides (tomando sempre o cuidado de esconder ou apagar meu nome onde ele aparece) mas não me dei nem ao trabalho de editar as imagens antes de upar. Pelo menos aqui, tudo que elas parasitarão serão alguns Mb nos servidores do Blogger.
Não gosto de guardar coisas, isso me faz sentir preso; se eu fosse dono da casa onde moro já teria me livrado dela também. Evito reter coisas com pretextos sentimentalistas; o que não é útil só pode ser inútil.
Entretanto certas coisas que achei durante a limpeza (meros pedaços de papel impressos) foram mais fortes do que eu (talvez aínda tenham algum valor né...): Não conseguiram exatamente mudar minha vontade de defenestrá-los, ao invés, incutiram em mim vontade de preservar seu conteúdo; pelo menos por ora: porque assim que isso passar -e é bem provável que passe- eu juro que apago esse post com todo o seu "conteúdo".
Acabei scaneando tais pedaços de papel e suas idéias parasitóides (tomando sempre o cuidado de esconder ou apagar meu nome onde ele aparece) mas não me dei nem ao trabalho de editar as imagens antes de upar. Pelo menos aqui, tudo que elas parasitarão serão alguns Mb nos servidores do Blogger.
Fig.1) Auto retrato feito por mim. Acho que eu tinha 6 ou 7 anos.
Fig. 2) Desenho esculhambado feito numa "aula" de Ed. Artística. Não me dei ao trabalho de colocar na posição correta.
Fig. 3) Isso foi escrito por uma "paquereti" atrás da capa do meu caderno de matemática da 8ª série. Eu nunca me dei bem com o sexo oposto, essa garota talvez tenha sido a única que gostou de mim sem eu ter feito absolutamente nada de especial.
Fig.4) Esse recado foi escrito por um de meus amigos de infância. Nessa época eu era muito religioso e estava voltando de um "retiro espiritual". Acredito que tenha sido escrito por "livre e expontânea pressão".
domingo, 7 de fevereiro de 2010
O cadáver que vi na Br 116, Linha Verde, próximo ao viaduto do Xaxim.
Já faz tempo. Estava eu voltando da faculdade á pé; virei no viaduto do antigo trecho da BR116, próximo á um galpão/indústria que processava fertilizantes (espalhando um cheiro fortíssimo daquele cheetos meia lua nas resdondezas), andei alguns metros e...!
Eis que, na ciclovia, vejo um cadáver; alí, largado ao chão, nú, atravessado na minha frente e com um puta buraco no lombo. Acho que -embora estivesse na calçada- foi vítima de atropelamento.
Carros e caminhões passavam espalhando CO misturado com outras porcarias de combustivel adulterado (BR né...), e eu fiquei ali, parado admirando a cena.
O buraco era tão grande que quase não era buraco. Acho que se eu chutasse o corpo, ele se partiria em dois. O intestino delgado, já sem as pregas, dava voltas quase por fora do corpo. As costelas também estavam expostas. Tinham aínda alguns outros troços que eu não consegui ver o que eram. O corpo era bem jovem e pequeno, com certeza aquele indivíduo nem chegou à puberdade. Sobre o rosto, tudo o que eu lembro é que provocou em mim uma grande compaixão. Quase me fez chorar por dentro.
Estava ali, sozinho, naquele lugar sujo, fedido e feio. Não sabia nem o que estava fazendo no mundo, apenas respondia estímulos: ficava feliz e sofria (provavelmente mais sofria).
Como terão sido seus últimos momentos? Imagino que ele estava procurando algo e foi parar ali. Acho bem provável que tenha sido atropelado durante a noite. "Que merda!" pensei. O que alguém tão jovem estaria procurando alí de noite? Talvez um lar... talvez alguêm em semelhantes condições para partilhar sua existência...
E o derreadeiro momento da morte? como terá sido? Acho que o atropelamento não ocorreu na calçada mas na rua; ele também não deve ter sido arrastado, acho que depois do choque engatinhou com o tronco aberto até lá. Ou seja, acho que foi foda.
Tão ignorante de tudo... O que seu rosto revela sobre seu fim? Talvez que seus últimos segundos se resumam em poucas palavras: ignorância, medo, dor e solidão. A posição em que estava colocado lembrava muito a posição que as crianças ficam quando estão manhosas ou querem carinho dos pais. Era como se, no fim, tivesse procurado um consolo "do nada" ou talvez do próprio chão.
Chegou à me ocorrer que eu devesse abraçá-lo, como forma de lamentar a atenção que aquela criatura, tão semelhante a mim, não recebeu em vida. Pensei que deveria deitar ao chão com ele, afagar seu rosto, lambê-lo e me sujar de suas tripas como se fossem minhas. Enfim, fazer seu sofrimento ecoar e talvez mostrar a mim mesmo que se eu não o ajudei não foi por má vontade. "Meu semelhante... meu companheiro no fastídio do mundo... ali, naquele estado..." Mas é claro que eu não o fiz, por pudor e por nojo.
Passei no mesmo lugar algumas vêzes durante as semanas seguintes e pude assistir quadro á quadro parte de sua decomposição. No dia seguinte à chuva o corpo parecia ter se fundido com o solo; os pelos estavam todos grudados no chão e não havia mais aquela reentrância saliente que separava o que era cadáver do que era ciclovia. Se o corpo fosse da cor do piche -e claro, não fosse pelo destroçamento lombar- sería facilmente confundido com uma lombada.
Alguns dias depois o rosto -de tão fodido- já não inspirava mais sentimento algum, e as duas metades do corpo estavam quase totalmente separadas. Depois aínda, a pele fraca foi atravessada pelas costelas.
Não passei mais naquele lugar durante um mês inteiro pra evitar o fedor.
Eis que, na ciclovia, vejo um cadáver; alí, largado ao chão, nú, atravessado na minha frente e com um puta buraco no lombo. Acho que -embora estivesse na calçada- foi vítima de atropelamento.
Carros e caminhões passavam espalhando CO misturado com outras porcarias de combustivel adulterado (BR né...), e eu fiquei ali, parado admirando a cena.
O buraco era tão grande que quase não era buraco. Acho que se eu chutasse o corpo, ele se partiria em dois. O intestino delgado, já sem as pregas, dava voltas quase por fora do corpo. As costelas também estavam expostas. Tinham aínda alguns outros troços que eu não consegui ver o que eram. O corpo era bem jovem e pequeno, com certeza aquele indivíduo nem chegou à puberdade. Sobre o rosto, tudo o que eu lembro é que provocou em mim uma grande compaixão. Quase me fez chorar por dentro.
Estava ali, sozinho, naquele lugar sujo, fedido e feio. Não sabia nem o que estava fazendo no mundo, apenas respondia estímulos: ficava feliz e sofria (provavelmente mais sofria).
Como terão sido seus últimos momentos? Imagino que ele estava procurando algo e foi parar ali. Acho bem provável que tenha sido atropelado durante a noite. "Que merda!" pensei. O que alguém tão jovem estaria procurando alí de noite? Talvez um lar... talvez alguêm em semelhantes condições para partilhar sua existência...
E o derreadeiro momento da morte? como terá sido? Acho que o atropelamento não ocorreu na calçada mas na rua; ele também não deve ter sido arrastado, acho que depois do choque engatinhou com o tronco aberto até lá. Ou seja, acho que foi foda.
Tão ignorante de tudo... O que seu rosto revela sobre seu fim? Talvez que seus últimos segundos se resumam em poucas palavras: ignorância, medo, dor e solidão. A posição em que estava colocado lembrava muito a posição que as crianças ficam quando estão manhosas ou querem carinho dos pais. Era como se, no fim, tivesse procurado um consolo "do nada" ou talvez do próprio chão.
Chegou à me ocorrer que eu devesse abraçá-lo, como forma de lamentar a atenção que aquela criatura, tão semelhante a mim, não recebeu em vida. Pensei que deveria deitar ao chão com ele, afagar seu rosto, lambê-lo e me sujar de suas tripas como se fossem minhas. Enfim, fazer seu sofrimento ecoar e talvez mostrar a mim mesmo que se eu não o ajudei não foi por má vontade. "Meu semelhante... meu companheiro no fastídio do mundo... ali, naquele estado..." Mas é claro que eu não o fiz, por pudor e por nojo.
Passei no mesmo lugar algumas vêzes durante as semanas seguintes e pude assistir quadro á quadro parte de sua decomposição. No dia seguinte à chuva o corpo parecia ter se fundido com o solo; os pelos estavam todos grudados no chão e não havia mais aquela reentrância saliente que separava o que era cadáver do que era ciclovia. Se o corpo fosse da cor do piche -e claro, não fosse pelo destroçamento lombar- sería facilmente confundido com uma lombada.
Alguns dias depois o rosto -de tão fodido- já não inspirava mais sentimento algum, e as duas metades do corpo estavam quase totalmente separadas. Depois aínda, a pele fraca foi atravessada pelas costelas.
Não passei mais naquele lugar durante um mês inteiro pra evitar o fedor.
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